Falta alguma coisa

Falta algo pro Grêmio ser campeão

 

Não e à toa que estamos há seis anos sem ganhar nenhum campeonato, por mais murrinha que seja. Nem o preferido dos coirmãos – o Novelettão – temos conseguido levar. Sempre falta alguma coisa.

Para 2016 o script estava pronto e próprio para terminar com isso de uma vez: um bom técnico, com tempo para trabalhar; o mesmo grupo de jogadores que fez um bom campeonato brasileiro em 2015 e reforços pontuais. Mas, outra vez, nada no primeiro semestre.

E, no último domingo, as esperanças de vencer o brasileirão foram por terra.

Não é papo de torcedor passional, que quando ganha tá tudo ótimo e quando não ganha tá tudo péssimo.

É que o jogo de domingo contra o América mostrou os mesmos problemas que nos tiraram de outras competições. Nem o resultado em si foi tão ruim quanto a atuação.

Falta alguma coisa pra esse time ser campeão.

Pode ser o técnico, que é um estudioso, inteligente, profissional, trabalhador, identificado com o clube e muitas outras qualidades. Mas quando pega um adversário fechado, que não dá espaços pras famosas triangulações, não consegue mudar o jogo. Não tem peças pra isso. E ele tem muita responsabilidade, afinal, o técnico opina sobre todas as contratações. Além disso, adora morrer abraçado com algumas pedras que só afundam (William Schuster, Tiago Machowski, Pedro Rocha…).

Pode ser o grupo, que não foi montado com um líder nato. Não que gritaria ganhe jogo, mas todos os times precisam de alguém com capacidade e, principalmente, respaldo pra chamar a atenção de vez em quando, pra chamar o jogo pra si, pra assumir a responsabilidade. Algo que o Fred, por exemplo, faz muito bem no Atlético. Ou o Renato fazia aqui nos anos 80. Ou, lembrando do nosso último título importante, o Zinho. Hoje, não temos ninguém com essa capacidade.

Pode ser a direção, que não é experiente o suficiente pra intervir quando necessário. Que fique claro, a intervenção a que me refiro é aquela pontual e precisa, que identifica o problema e, com a autoridade que a direção possui, age pra resolver. Nada de chute na porta ou gritaria, mas ações efetivas para mudar o rumo do time quando preciso.

Pode ser o problema financeiro, que impede a contratação de alguns cascudos.

Pode ser o eterno problema da Arena, que, pelo Grêmio não ter sua gestão, não consegue transformá-la em um Olímpico. Leia-se, no estádio onde se ganha jogo no grito (da torcida!), como aconteceu em 2001, naquela Copa do Brasil: saímos perdendo o primeiro jogo por 2 x 0 pro Corinthians do Luxemburgo (que, àquela época, estava no auge – nosso técnico era o Tite) e empatamos no segundo tempo, na marra. Ou o jogo contra o Palmeiras pelas quartas-de-final do Brasileiro de 1996, quando saímos perdendo por 1 x 0 e viramos pra 3 x 1 (Felipão era nosso técnico, Luxa, de novo, o deles). Ou, quem não lembra, da Libertadores de 83, entre outros tantos.

Pode ser a torcida, que desaprendeu a apoiar: quando o time mais precisa de ajuda, dentro de casa, os corneteiros do amendoim (especialmente da social) começam o murmurinho que vira lamento que vira vaia e vira desespero – e, claro, passa pra dentro de campo, atrapalhando o desempenho dos jogadores (claro que ter que aturar um Galhardo, um Pará, um Bressan, um Pedro Rocha termina com a paciência de qualquer um – mas tem que saber lidar com isso).

Enfim, falta alguma coisa – ou, o meu maior temor, várias dessas coisas que citei acima, somadas.

E o pior: não vejo saída pra isso em breve.

O time alterna ótimos momentos (muitos) com péssimos momentos (poucos) e atuações mornas, insossas – mas que vão tirando aqueles pontos que, no fim, fazem toda a diferença.

E assim vamos indo pra mais um ano sem muita expectativa.

Esperança? Sim, sempre existe. Mas daí temos que apelar pra aquela coisa da imortalidade.

Que, convenhamos, já não vem dando certo já bastante tempo…

 

 

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